REPÓRTER NA RUA - Otacílio agora diz que não prometeu benefício para universitários


Otacílio agora diz que não prometeu benefício para universitários

07/08/2017 - 15:19:32
Por: Sérgio Fleury de Moraes

De Sérgio Fleury - Jornal Debate

 

O prefeito Otacílio Parras Assis (PSB) reagiu de forma estranha à reportagem publicada na semana passada pelo DEBATE, informando que o transporte gratuito de universitários foi promessa de campanha do então candidato nas duas últimas eleições. Ele foi a emissoras de rádio para dizer que a informação “não era verdadeira”.
Na rádio 104 FM, onde compareceu ao estúdio sem aviso prévio, após o radialista Diego Singolani criticar a mudança de postura, Otacílio disse que necessitava esclarecer este fato “antes que se transforme numa verdade”. Segundo ele, “esta informação errada saiu publicada no jornal, o que não é verdade”.
Otacílio admitiu somente a promessa da implantação do transporte gratuito na campanha de 2012, mesmo assim não para todos. “Mas na campanha do ano passado, fui interrogado diversas vezes e disse que o transporte gratuito seria garantido até julho deste ano e que depois seria estudado de acordo com a arrecadação”, afirmou. “Não enganei ninguém”, garantiu.
Segundo ele, o projeto acabando com o transporte totalmente gratuito foi encaminhado à Câmara com muita antecedência e que não há urgência na votação, já que a nova lei só entra em vigor no próximo ano. Otacílio anunciou que a administração vai promover um “censo escolar” para ter informações sobre as condições de cada universitário e a origem educacional.
O prefeito disse que o crescimento do número de estudantes, somado à crise econômica, inviabilizou o sistema gratuito. “Se fosse o mesmo número de universitários da época em que assumi a prefeitura, daria até para pagar a faculdade de cada um dos estudantes”, disse.

Não cumpriu

Ao contrário do que afirmou o prefeito Otacílio Parras Assis, o jornal não mentiu. A promessa do transporte gratuito de universitários começou a ser feita na campanha eleitoral de 2012, em peças publicitárias e no horário do rádio. Naquela campanha, aliás, Otacílio fez a promessa diretamente, ou seja, pediu votos dizendo que daria o transporte gratuito.
Na eleição do ano passado, quando foi reeleito, o assunto voltou a dominar a campanha eleitoral, inclusive sendo tema do debate entre os dois candidatos — Otacílio Parras e Adilson Mira — a poucos dias das eleições. Na ocasião, o prefeito foi questionado pelo candidato da oposição e disse que “dar ou não 100%” é um critério exclusivo da administração. “A lei diz isto e nós estamos fazendo o que prometemos, dando oportunidade de melhoria de vida a todas as famílias e aos jovens”, declarou em setembro de 2016.
Mas a promessa também foi reafirmada em panfletos e vídeos durante a última campanha eleitoral, pois o assunto virou um dos principais temas na reta final da eleição. Mira, por sinal, veiculou vídeos publicitários na internet alertando que, caso Otacílio fosse eleito, o transporte gratuito seria suspenso. O tucano chegou a citar uma mensagem de Júnior Poli no Facebook para dar veracidade à “denúncia”.
Em resposta, Otacílio passou a veicular vídeos enaltecendo o transporte gratuito para universitários como benefício exclusivo de sua administração. Num deles, a frase do “spot” de campanha é “transporte universitário gratuito é um benefício, ele não pode parar”. Um dos principais coordenadores da campanha de Parras, o ex-secretário Célio Guimarães, chegou a anunciar em redes sociais que “com doutor Otacílio é mais transporte universitário gratuito”. Portanto, em nenhum momento da campanha o atual prefeito disse que, caso eleito, iria rever o sistema gratuito. 

 

Vereadores querem mudar o projeto dos universitários; Murilo Sala não descarta convocar audiência pública com estudantes para debater fim da gratuidade total

Dificilmente o projeto que acaba com o transporte de universitários totalmente gratuito será votado no próximo dia 14, quando a Câmara volta se reunir em sessão ordinária. O projeto do prefeito Otacílio Parras Assis (PSB ) já foi oficialmente incluído na pauta de discussões, mas vários vereadores não concordam com o novo sistema proposto pelo governo, que impõe pagamentos aos alunos que cursaram o Ensino Médio em escolas particulares.
Alguns vereadores, aliás, defendem uma discussão mais ampla para tentar manter o benefício da gratuidade instituída em 2014. Para eles, a administração poderia efetuar cortes em outros setores para compensar os gastos com o transporte universitário.
Promessa de campanha de Otacílio Parras Assis em 2012, o transporte totalmente gratuito de estudantes universitários que cursam faculdades em outros municípios foi instituído em 2014. Com o benefício, o número de alunos cresceu nos últimos anos, inclusive com o acréscimo de mais ônibus, todos da empresa “San Carlos Turismo”, contratada pelo município para realizar o serviço.
Vários veículos partem diariamente de Santa Cruz do Rio Pardo com destino a Ourinhos, Jacarezinho (PR), Marília e Bauru.
Na campanha do ano passado, quando foi reeleito, Otacílio reafirmou o compromisso em sua publicidade eleitoral. Agora, se viu obrigado a voltar atrás devido à queda na arrecadação. Pelo projeto apresentado na Câmara, somente quem estudou o Ensino Médio em escolas públicas terá direito à gratuidade. Os universitários oriundos de escolas particulares pagarão 50% dos custos.

Mais discussão

O vereador Murilo Sala (SD) defende uma ampla discussão com a sociedade antes da Câmara votar o projeto que restringe a gratuidade no transporte universitário. Ele quer a convocação, inclusive, de uma audiência pública com a presença dos estudantes.
“Particularmente, quero debater muito este projeto com os próprios universitários”, disse. Segundo Murilo, o projeto deverá ser modificado por uma série de emendas, conforme opiniões de alguns colegas.
O vereador não concorda com o critério estipulado no projeto, sobre limitar a gratuidade aos universitários oriundos de escolas públicas. “Minha família tem uma certa condição financeira, mas eu estudei em escola pública. Neste caso, eu teria direito, enquanto outros mais necessitados — que por ventura tenham sido financiados na escola por padrinhos ou outros parentes — ficariam de fora. É um critério injusto”, disse.
Para Murilo, uma das alternativas seria cobrar um valor pequeno de todos os universitários. “É preciso fazer contas, até chegar ao limite de 30% que o prefeito quer economizar. No entanto, o ideal seria manter esta conquista dos estudantes”, afirmou. O vereador disse que conversou com alguns universitários e percebeu que há uma rejeição à nova proposta da administração.
Já Edvaldo Godoy (DEM), que é professor, disse que precisa analisar melhor o projeto antes de ter uma posição. No entanto, ele alertou que os vereadores devem discutir ao máximo a proposta antes de votar. “A mãe de um universitário, que é professora, me procurou e manifestou muita preocupação com estas mudanças”, afirmou. “Vamos ter que examinar muito as alternativas”, completou.

Incógnita

O vereador João Marcelo Santos (DEM) disse que tem uma proposta para mudar o projeto “e nivelar por cima” para melhorar o critério para a gratuidade. “Como seu capitalista, quero apresentar esta sugestão”, disse, sem adiantar do que se trata.
“A verdade é que a discussão deste projeto vai demorar cerca de 90 dias”, disse, “e certamente vamos apresentar muitas emendas”. O vereador, entretanto, disse que a “sugestão” a ser apresentada diz respeito ao critério de seleção adotado no projeto.

 

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