A verdadeira razão pela qual as estátuas do Egito têm os narizes quebrados

Correio Braziliense 28/04/2021 - 11:50:35 Mundo

Pesquisa revelou que a ausência dos narizes, como nesta cabeça de uma estátua de um rei da Trigésima Dinastia (por volta de 370 aC), não era casual

Por várias décadas, este foi um mistério não solucionado entre especialistas e entusiastas do Antigo Egito, uma das civilizações mais antigas e duradouras do mundo.

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À primeira vista, parece algo esperado: a passagem de milhares de anos torna inevitável o desgaste de qualquer obra. Mas por que havia tantas estátuas imaculadas em que a única parte que faltava era o nariz?

Talvez porque, afinal, se algo corre o risco de quebrar, é aquela parte proeminente, a mais exposta.

No entanto, se for assim, como explicar que obras de representação bidimensional geralmente apresentem os mesmos danos?

O assunto deu origem a suposições, incluindo uma hipótese amarga que continua recorrente, embora tenha sido refutada: a de que teria sido uma tentativa dos colonialistas europeus de apagar as raízes africanas dos antigos egípcios.

No entanto, especialistas afirmam que essa teoria é infundada, entre outras razões porque os narizes não são a única evidência física dessas origens. E eles concordam que, apesar dos muitos horrores do imperialismo, este não seria um deles.

Então, o que poderia ter acontecido?

Poderes divinos

A resposta mais confiável neste ponto se resume em uma palavra: iconoclastia (do grego Eikonoklasmos, que significa "quebra de imagens").

Não estamos falando dos seguidores da corrente do século 8 que rejeitaram o culto às imagens sagradas, destruíram-nas e perseguiram aqueles que as veneravam. Nesse caso, o termo é usado de forma mais ampla para se referir à crença social na importância da destruição de ícones e outras imagens ou monumentos, muitas vezes por motivos religiosos ou políticos.

E faz muito sentido quando você considera que, para os antigos egípcios, as estátuas eram o ponto de contato entre os seres divinos e os terrenos.

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